Morre Nelson Mandela, a lança da nação africana
“Madiba”, um dos libertadores da África Colonizada, morreu aos 95 anos
Mandela acena para simpatizantes durante comício no dia 30 de janeiro de 1994, em Rustenburg, às vésperas da eleição presidencial Foto: AFP
Mandela acena para simpatizantes durante comício no dia 30 de janeiro de 1994, em Rustenburg, às vésperas da eleição presidencial
Foto: AFP
Voltaire Schilling
Aos 95 anos de idade, desaparece um dos libertadores da África Colonizada e um dos últimos campeões africanos que lutou contra o colonialismo europeu. Nelson Mandela, nascido em 18 de julho de 1918 na cidade de Qunu (África do Sul), pertenceu a uma geração formidável de rebeldes e revolucionários terceiro-mundistas que emergiu no após-Segunda Guerra Mundial. A meta deles era simples: livrar seus países, e milhões de africanos, do domínio estrangeiro, do jugo do homem branco. Algo que se prolongava desde o século 16 e, de modo mais intenso, no transcorrer do século 19.
Por primeiro, os europeus vieram na forma de traficantes de especiarias e escravos, plantando inúmeras feitorias no litoral da África Ocidental, principalmente no golfo de Guiné e de Angola. Assim por alto, se acredita que sugaram do solo africano 9 milhões de homens e mulheres, levados sob ameaça do chicote para diversas partes do Novo Mundo nos porões tétricos e fétidos dos navios negreiros, expondo as páginas mais terríveis da história da humanidade em qualquer tempo.
Acicatados pela competição, as principais potências colonialistas da Europa (Grã-Bretanha, França, Alemanha, Portugal, Bélgica e Itália), pelas alturas da segunda metade do século 19, tratam de, cada uma, reservar um naco do território africano. O interior do Continente Negro, ainda não devassado, foi conquistado por expedições organizadas a partir do litoral. No final daquele século, a África por inteiro havia sido retalhada pelos europeus que, cada um a seu modo, fixaram as respectivas fronteiras das suas possessões.
Desta feita, com a supressão geral da escravidão no Mundo Ocidental, a partir de 1848, eram os recursos minerais e agrícolas que interessavam aos exploradores forâneos. Em grilhões, a África, "colônia de todas as metrópoles", permaneceu assim até o pós-Segunda Guerra Mundial.
Eviscerado, exausto e abatido por duas grandes guerras, a de 1914-1918 e a de 1939-1945, o Poder Colonial começou a enfraquecer. Aproveitando-se da hesitação do braço do feitor, milhares de africanos começaram a se mobilizar em favor da libertação do seu infeliz continente. Surgiram então, por todos os lados, os líderes que iriam insuflar as massas colonizadas à rebelião: Ahmed Sékou Touré, Félix Houphouët-Boigny, Kwame Nkrumah, Robert Mugabe, Julius Nyerere, Patrice Lumumba, Jomo Kenyatta, Samora Machel, José Eduardo dos Santos e, entre eles, Nelson Mandela. No panorama internacional, ele foi precedido por Mahatma Gandhi, o libertador da Índia, e pelo reverendo norte-americano Martin Luther King, seu contemporâneo, que liderou o movimento pelos Direitos Humanos a favor dos negros americanos (1956-1968).
Nelson Mandela morre aos 95 anos; mundo se despede do líder
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