sábado, 19 de outubro de 2013

Delegada quer enviar inquérito ao Ministério Público nesta sexta-feira (18)

Médica sempre foi tranquila, dizem conhecidos e pacientes sobre Kátia Vargas

18.10.2013 | Atualizado em 18.10.2013 - 08:23
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Clarissa Pacheco e Gil Santos
Desde o acidente, que completa hoje uma semana, amigos de Kátia Vargas Pereira a defendem, principalmente nas redes sociais. Além de trabalhar como oftalmologista em clínicas particulares, ela fazia trabalhos voluntários na Cidade da Luz, complexo social fundado pelo médium José Medrado.
De acordo com Renato Gomes, diretor administrativo-financeiro da Cidade da Luz, Kátia já atendia, gratuitamente, em seu consultório particular, pacientes excedentes da Cidade da Luz.
“Sempre atendeu prontamente as pessoas que procuravam serviço na Cidade da Luz”, disse. Apesar de ter pouco contato com a médica, ele a considera uma pessoa “tranquila”.
O conselheiro do complexo, Antônio Carlos Souza, disse que Kátia se ofereceu, há sete anos, para o voluntariado. A última vez que a médica foi ao local foi na quinta-feira (10), um dia antes do acidente.

Kátia Vargas deixa Hospital Aliança em viatura da Polícia Civil (Foto: Jurimar Soares)
“Todas as pessoas que eram atendidas por ela diziam que ela era uma pessoa carinhosa, dedicada, comprometida”, disse. Um paciente, o estudante José Calazans, 19, também diz nunca ter notado comportamento agressivo. “Ela é uma pessoa bem tranquila, bastante atenciosa”, contou José.
Delegada quer enviar inquérito ao MP hoje
Na tarde de ontem, a delegada Acácia Nunes ouviu os pais de Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, além do personal trainer de Kátia, cujo nome não foi revelado. Foram os últimos depoimentos antes da conclusão do inquérito, que será encaminhado hoje ao Ministério Público (MP).
Segundo o advogado da família dos irmãos, Daniel Keller, o depoimento foi difícil. “Tiveram que relembrar o último contato com eles”, disse. Os pais das vítimas não falaram com a imprensa. Já o personal contou, em depoimento, que Kátia ia à academia pela manhã.
Para a delegada Acácia Nunes, isso leva a crer que a médica se dirigia ao local no momento do acidente. Na saída da Rua Morro do Escravo Miguel, onde mora, Kátia discutiu com Emanuel e iniciou a perseguição.
Acácia Nunes ainda pretende ouvir outros depoimentos, já que uma nova versão pode causar reviravolta. O MP tem cinco dias para oferecer denúncia à Justiça.
O promotor Davi Gallo disse ter material suficiente para denunciar a médica por duplo homicídio triplamente qualificado. Também ontem, o Detran abriu processo que pode levar à cassação da carteira de habilitação da médica.

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Isolada
Logo após o interrogatório, Kátia Vargas Pereira foi levada para a ala médica do Conjunto Penal Feminino, anexo ao prédio em que ficam as celas. Segundo o promotor Davi Gallo, ela possui um problema na coluna e, por isso, usa colar cervical. 
Além disso, a delegada Jussara Souza contou que Kátia tomava alguns medicamentos com horário marcado e que permaneceria nessa ala até terminar a medicação.
Só então ela seria encaminhada para uma cela, já reservada. “A delegada Jussara me ligou ontem pedindo para reservar uma cela para ela. Ela vai ficar sozinha, isolada”, afirmou a diretora do Conjunto Penal, Luz Marina Ferreira. A cela a ser ocupada por Kátia tem área de 6m² (3m x 2m), com uma cama, colchão e um sanitário.
Fontes ligadas à Penitenciária Lemos Brito relataram que Kátia ficará isolada por questão de segurança, já que outras detentas estariam revoltadas com seu crime. Até as 21h de ontem, a direção do presídio não havia confirmado o motivo de a médica ficar isolada. O conjunto feminino tem, hoje, um excedente de 96 detentas.
Saída 
No hospital, o clima era de mistério. Funcionários, visivelmente agitados, observavam a movimentação da imprensa. Mas a saída da médica foi rápida, pelo portão principal. 
Após a passagem da viatura que a levou até o Conjunto Penal, Kátia ouviu insultos e manifestações de revolta. “Sou mãe de três filhos e penso nessa mãe que perdeu dois. Como é que ela não está? Essa mulher tem que ser presa”, gritou uma mulher no estacionamento do Hospital Aliança.
O trajeto até a prisão foi feito em 22 minutos. Jornalistas acompanharam o carro da polícia até a Mata Escura, mas não puderam entrar na penitenciária. No caminho, muita gente buzinava para o comboio. 
Familiares da médica Kátia Vargas aguardam informações em frente a hospital (Foto: Almiro Lopes)
Respeito 
O advogado de Kátia, Vivaldo Amaral, falou com a imprensa já fora do presídio. Ele pediu respeito aos familiares dos jovens e de sua cliente, que é casada e tem dois filhos. “A gente precisa ter respeito ao mortos, à família dos mortos e aos que ficaram, que estão sofrendo, à família de minha cliente, que foi destruída por esse fato”.
Em seguida, Amaral fez menção à presunção de inocência, que consta na Constituição Federal: “Já vi muito indiciado entrar pela porta do Poder Judiciário e, ao final do processo, sair como absolvido. Então, não estranhem que após esse inquérito muita gente que crucifica minha cliente tenha que ter a humildade de pedir desculpa, pois os fatos podem ser diferentes da forma que estão sendo veiculados”.
O promotor Davi Gallo disse que não existe um julgamento antecipado, “nem para condenar, nem para defender”. Segundo ele, o que existia era a sensação de impunidade, o que não ocorre mais já que Kátia está presa. “A prisão foi decretada como forma de manter a ordem pública. O simples fato de ela já se encontrar recolhida é uma tendência natural que a paz social volte”.

Colaboraram Aline Damazio, Vitor Gabriel e Victor Lahiri, do programa Correio de Futuro

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