Vice-presidente do Senado italiano compara ministra negra a um orangotango
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Cecile Kyenge, cidadã italiana nascida no Congo, vem sendo alvo de racismo desde que foi nomeada ministra
Primeira ministra negra da Itália enfrenta ofensas racistas
"Eu amo animais, ursos e lobos, como todos
sabem, mas quando eu vejo fotos de Kyenge, eu não consigo deixar de
pensar em, e não estou dizendo que ela é, um orangotango", disse
Calderoli, vice-presidente do Senado, em discurso na cidade de Treviglio
no sábado (13).
Ministra disse à agência AGI que Calderoli deveria refletir sobre sua função no Senado
Calderoli disse ainda que o sucesso de Kyenge
encorajou "imigrantes ilegais" a virem para a Itália e afirmou que ela
deveria ser ministra "em seu país natal", de acordo com a imprensa
local. Nos últimos meses, a maioria dos insultos racistas, como "macaca
do Congo", "Zulu" e "a negra anti-italiana", veio de membros de grupos
da extrema-direita.
Em junho, um integrante da Liga Norte no
parlamento europeu foi expulso do grupo eurocéptico Europa da Liberdade e
da Democracia por comentários racistas a respeito de Kyenge. Mario
Borghezio atacou a ministra dizendo que ela queria impor "tradições
tribais" na Itália como membro do governo "bonga bonga", um trocadilho
com as chamadas festas "bunga bunga" promovidas pelo ex-premiê italiano
Silvio Berlusconi.
Senador Roberto Calderoli conhecido por se posicionar contra a imigração na Itália
O opositor Calderoli, duas vezes ministro
durante os mandatos de Berlusconi, costuma ser agressivo em suas
declarações. Em 2006, ele se viu forçado a deixar o cargo de ministro
depois de aparecer durante um evento do governo com uma camiseta
portando um desenho ofensivo do profeta Maomé. No mesmo ano, depois que a
Itália venceu a Copa do Mundo, ele fez comentários racistas sobre a
seleção da França.
A Itália venceu o Mundial com atletas do país, ao passo
que a França perdeu, disse Calderoli, por conta de seus jogadores
"negros, muçulmanos e comunistas". Neste domingo (14), vários políticos,
incluindo alguns da própria Liga Norte, criticaram Calderoli duramente,
com alguns até mesmo pedindo a renúncia dele como vice-presidente do
Senado.Em comunicado oficial e também pelo Twitter, o primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, disse que os comentários racistas são inaceitáveis. "Foi muito além do limite. Toda solidariedade e apoio a Cecile. Que ela continue com o seu e o nosso trabalho", declarou Letta.
Kyenge tem feito campanha para que os imigrantes tenham mais facilidade para adquirir a cidadania italiana, e ela apoia uma lei que automaticamente torna italiano qualquer cidadão nascido em solo, o que não ocorre atualmente. A ministra não se manifestou oficialmente, mas disse à agência AGI que Calderoli deveria refletir sobre sua função como membro do Senado.
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