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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Governo de Dilma não apostou sozinho em Eike, diz presidente do BNDES

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VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
RAQUEL LANDIM
DE SÃO PAULO
Presidente do BNDES, Luciano Coutinho diz que a aposta do governo Dilma Rousseff em Eike Batista foi "uma expectativa compartilhada por todo o mercado".
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À frente do banco que emprestou R$ 10,4 bilhões ao empresário, Coutinho afirmou à Folha que a exposição do banco a Eike é "baixíssima" e se concentra nas empresas com ativos para equacionar financeiramente o grupo: "Quem estiver apostando no caos vai se frustrar".

Eduardo Knapp/Folhapress
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, dá entrevista em São Paulo
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, dá entrevista em São Paulo
Leia a entrevista:
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Folha - Duas apostas do BNDES --Marfrig e grupo EBX-- estão com problemas graves. Houve equívoco nas escolhas?
Luciano Coutinho - Não posso falar de casos específicos, mas são companhias que têm ativos altamente atraentes. Tiveram problemas de gestão ou de endividamento, que naturalmente se resolvem. Não é um insucesso.
O banco divulgou que aprovou empréstimos de R$ 10,4 bilhões para Eike Batista. No pior cenário, qual o prejuízo?
Baixíssimo. Tanto do BNDES como dos bancos privados. A exposição está concentrada nos ativos de alta qualidade do grupo, principalmente na MPX, que já mudou de controlador e hoje é uma empresa sob liderança alemã. Outro ativo de maior exposição dos bancos é a MMX, que também é cobiçada publicamente. A exposição direta do BNDES ao grupo é pequena.
O governo Dilma apostou em Eike. Foi uma aposta errada?
Foi uma expectativa compartilhada por todo o mercado privado em um conjunto de projetos --a maioria, meritórios e consistentes. Houve um negócio específico que foi frustrante, e essa frustração provocou uma crise profunda de credibilidade em relação ao investidor. Mas o conjunto de ativos gerados é suficiente para equacionar financeiramente e patrimonialmente o grupo e propiciar uma saída organizada. Quem estiver apostando no caos vai se frustrar.
Os empresários estão preocupados com o ritmo da economia, sinalizando risco de redução de investimento. Esse pessimismo vem de onde?
Estamos vivendo um momento de mudança, com a perspectiva de uma política monetária americana mais apertada [juros mais altos]. Esse movimento teve efeito muito forte não só no Brasil, mas no mundo todo, e gerou ansiedade em muitos setores. Porém, esse processo tende a se ajustar em algum momento. No médio e longo prazos, teremos apenas um pequeno soluço e vamos retomar o crescimento.
O soluço não está longo?
Começou há seis semanas. Tivemos um primeiro trimestre fraco, mas o investimento foi forte. Apesar dos efeitos das manifestações, vamos ter um primeiro semestre de bons resultados. Essa mudança teve impacto, mas quero chamar a atenção para oportunidades nos investimentos em infraestrutura, energia, óleo e gás, agronegócio e manufatura. Depois desse ajuste, o quadro é benigno. Teremos um câmbio estimulante para vários setores.

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