"Pensei que seria estuprada", diz bancária assaltada em vagão de trem
Marivaldo Carvalho
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
- Divulgação
A bancária Danielle Bottazzo, que foi assaltada em estação de trem em São Paulo
Era um caminho de quatro estações e que a bancária já fazia havia quatro anos, mas que hoje tem vontade de apagar da memória.
Ao entrar no vagão, por volta das 8h15, começou o drama de Danielle. Ela sentiu que alguém a tinha empurrado. Ao olhar para trás, um homem moreno aparentando ter 35 anos, levantou a blusa, mostrou a arma e pediu para ela ficar quieta. Indicou também que não estava sozinho, que um comparsa o acompanhava.
"Ele disse: 'Finge que você é minha namorada' e começou a me beijar e abraçar. Fiquei com medo e acuada, sem reação. Não aceitava, mas não repelia, fiquei quieta", lembra, com angústia e voz embargada.
A estação Vila Olímpia nunca pareceu tão longe. "Ele me perguntou: 'Você vai descer onde?'. Eu respondi que ia descer na Vila Olímpia, e ele disse que a gente ia descer junto. Nessa hora fiquei com muito medo", conta.
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30.jun.2013 - Familiares de Brayan Yanarico Capcha, 5, morto a tiro durante um assalto na madrugada da última sexta-feira (28), em São Mateus, São Paulo, velam o corpo da criança, na noite deste sábado (29), no cemitério São Judas, em Guarulhos (SP). A casa da família, boliviana, foi invadida por um grupo de seis homens armados e encapuzados, que exigiam dinheiro . Os bolivianos chegaram a entregar R$ 4.500, mas um dos criminosos, insatisfeito com o valor e irritado com o choro da criança, atirou na cabeça do garoto. Brayan chegou a ser socorrido para o pronto-socorro do hospital São Mateus, mas morreu minutos depois de chegar à unidade de saúde Marcos Bezerra/Futurapress
"Quando o trem parou na estação, ele disse: 'Me dá a mão para a gente descer juntos'. Nessa hora, achei que ele não iria me roubar, e sim me levar para algum lugar e me estuprar. Eu não pensava em outra coisa", lembra.
Outras coisas também passavam pela cabeça de Danielle, como gritar se passassem pela catraca ou que nunca iria para rua com aquele cara.
Não foram tão longe. O bandido pediu para ela sentar no banco da estação, abrir a bolsa e entregar celular, cartão de crédito e de débito, carteira de habilitação e o dinheiro. Ela tinha apenas R$ 20, porém o ladrão não reclamou.
"Depois que entreguei tudo, ele pediu para eu ficar cinco minutos sentada, depois poderia ir embora. Assim que vi que ele estava na escada rolante, mas não conseguia mais me ver, procurei um segurança da CPTM. Foi difícil de achar. E ele me fez tantas perguntas, enquanto eu achava que tinha de ter ido procurar o ladrão.".
A assessoria de imprensa da CPTM informou que, em casos de roubo e furto, os usuários devem registrar o Boletim de Ocorrência na Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano), que está instalada no terminal Barra Funda, na estação Barra Funda do metrô.
'O cheiro dele ficou'
Ao sair da estação, Danielle saiu correndo até o trabalho, com medo de reencontrar com o assaltante. "Quando cheguei, comecei a chorar, não conseguia andar. Meu corpo tremia tanto", diz.O banco liberou Danielle de trabalhar aquele dia, pois ela realmente não tinha condições de trabalhar. "Precisei tomar calmante para dormir", diz.
No dia seguinte, a sexta-feira (28), ela foi trabalhar, de carona com o marido, que não quer que ela entre mais num vagão de trem.
O banco em que ela trabalha a colocou no programa "Carona Amiga", em que que vai dividir o carro com outro funcionário do trabalho. "O cheiro dele [do assaltante] ficou."
A pressão psicológica afetou tanto a bancária que, a partir de segunda-feira (1º), sairá de férias com o marido e a filha.
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