terça-feira, 4 de junho de 2013

Mercado de trabalho »214 milhões de desempregados

Publicação: 04/06/2013 09:18 Atualização:

O aumento do desemprego será uma pedra no caminho dos países atormentados pela crise econômica global . Dados divulgados ontem (3) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que o número de pessoas sem ocupação chegou a 200 milhões em todo o mundo neste ano — 5,9% da população economicamente ativa — e vai avançar a 214 milhões até 2018. Só então começará a dar uma trégua,
segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), retornando aos níveis pré-crise, previsão considerada otimista demais pelos especialistas.

Para eles, o pessimismo se deve ao atoleiro no qual a Europa se meteu. Segundo a Eurostat, o desemprego atingiu, em abril, 12,2% da população da Zona do Euro, mas, na Espanha, cravou 26,8%. Ao todo, são 19,4 milhões de pessoas sem trabalho no Velho Continente. Para piorar, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento para a Alemanha em 2013, de 0,6% para 0,3%, devido às incertezas econômicas persistentes na Eurozona.

Outro dado preocupante divulgado pela OIT mostra que as desigualdades de renda aumentaram entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias avançadas como, por exemplo, França, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos. E somente seis recuperaram o nível de emprego pré-crise — Alemanha, Hungria, Israel, Luxemburgo, Malta e Suíça. O diretor-geral do OIT, Guy Ryder, mostrou um certo otimismo, apesar dos números alarmantes. “A situação em alguns países europeus está começando a forçar o seu tecido econômico e social. Precisamos de uma recuperação global focada em empregos e investimentos produtivos, combinada com uma melhor proteção social para os grupos mais pobres e vulneráveis”, comentou.

Por outro lado, o relatório valorizou as conquistas do Brasil. A OIT apontou que a classe média brasileira cresceu 16 pontos percentuais entre 1999 e 2010 e destacou o programa de transferência de renda Bolsa Família e os aumentos anuais do salário mínimo como ferramentas que contribuíram para tal processo.

Na avaliação do economista-chefe da Opus Investimento e especialista em mercado de trabalho, José Márcio Camargo, as projeções da OIT são otimistas, uma vez que a economia mundial não apresenta sinas claros de retomada no crescimento. Conforme ele, além da fragilidade das economias avançadas, os países emergentes têm desacelerado a trajetória de crescimento. “Fica difícil sugerir qualquer coisa com esse cenário. O ideal é ter cautela, esperar e manter as políticas de austeridade, aliadas a reformas estruturais que podem gerar mais empregos.”

Sinal de alerta

Estudo da OIT mostra que o nível de desemprego nas economias avançadas aumentará até 2018

5,9%
taxa de desocupados no mundo no ano passado foi 0,5 ponto percentual acima do patamar anterior à crise

200 milhões
número de pessoas sem trabalho no planeta em 2012

208 milhões
trabalhadores em idade economicamente ativa que não terão emprego em 2015

214 milhões
estimativa de pessoas sem ocupação em 2018

14
quantidade de países em que as desigualdades de renda aumentaram entre 2010 e 2011 entre 26 economias avançadas, incluindo França, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos

Apenas 6
de um total de 37 nações recuperaram o nível de emprego pré-crise. São elas Alemanha, Hungria, Israel, Luxemburgo, Malta e Suíça

47%
do investimento global em 2012 partiu de economias emergentes, ante 27% em 2000

NO BRASIL

16 pontos percentuais
crescimento da classe média entre 1999 e 2010

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