terça-feira, 11 de junho de 2013

Edição do dia 11/06/2013
11/06/2013 09h52 - Atualizado em 11/06/2013 09h52

Muro de escola de Brasília é ilustrado com críticas ao governo

Cinco dos 101 painéis mostram órgãos públicos, como o Congresso Nacional, em tom de crítica; Secretaria de Educação quis apagar o muro.

Em Brasília, uma escola da periferia está mergulhada em uma polêmica. O muro da escola ganhou painéis criados por artistas para se livrar das pichações que tomavam conta do muro. A decisão está dando o que falar.
No lugar das pichações surgiu um muro de lamentações com críticas ao governo, ao Congresso, às instituições públicas em geral. A Secretaria de Educação não quis derrubar o muro, mas apagar o que estava ali. O caso foi parar na Justiça.
A comunidade aprovou. “Lindo, lindo. Muito bom”, diz uma mulher.
“Isso foi uma ideia boa mesmo”, declara um homem.
O muro da escola ganhou cores. No lugar das pichações, pinturas. Painéis feitos por ex-alunos e moradores da cidade de São Sebastião, a 40 quilômetros de Brasília.
Os temas são variados. Animais, rios, espaços públicos. O presidente do instituto que ensinou os jovens a pintar e coordenou o projeto diz que a iniciativa deu resultados.
“A pichação acalmou, parou um pouco na cidade e também a questão da descoberta de talentos. Muitos artistas foram descobertos durante dois meses”, declara Chico Metamorfose, presidente do Instituto Metamorfose.

Cinco dos 101 painéis mostram órgãos públicos, em tom de crítica. A fila no hospital, o Congresso Nacional, a Justiça, a escola. Um diz “Não precisamos da educação falida do governo do Distrito Federal”.
A Secretaria de Educação não gostou. Disse que as pinturas de protesto desqualificam instituições de forma gratuita e com imagens de mau gosto e pediu que elas fossem retiradas.
Em um documento, alerta que quem autorizou o grafite poderia responder por infração administrativa por promover manifestação de desapreço em repartição pública.
Segundo a diretora da escola, o projeto foi aprovado pelo conselho escolar. “Isso é arte. É uma expressão do artista. Não está dizendo ali que os alunos fizeram, os professores. Não. Um artista fez isso. O que ele está sentindo. Arte é isso”, diz a diretora da escola Heloísa Moraes.
O Ministério Público concorda. Entrou na Justiça e conseguiu manter os painéis. “A nossa ação, ela visa exatamente coibir este tipo de censura que estava sendo aplicada a uma manifestação válida da sociedade dentro da escola. Não adianta dizer que aquilo é de mau gosto. Mau gosto é um cidadão sair de casa e pegar um ônibus absolutamente cheio, lotado, que quebra no caminho”, diz a promotora de defesa da educação Márcia Pereira Rocha.
A Secretaria de Educação não quis gravar entrevista. Em nota, diz que vai atender à decisão da Justiça e suspender qualquer ação para retirar os painéis do muro da escola.
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